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O que não te falaram sobre rinite.

Rinite é a reação inflamatória da mucosa nasal provocada por algum alérgeno, patógeno, mudança climática, etc.

Não é raro que os pacientes cheguem ao consultório referindo que sofrem de rinite alérgica. Contudo, o termo rinite alérgica pressupõe o contato com algum microrganismo ou componente que possa gerar uma reação mediada por Imunoglobulina E.

Todavia, para não aprofundar muito no tema, o que não é o escopo deste texto, devo dizer que muitos agentes irritativos não causam de fato rinite por esse mecanismo relatado acima, sendo que causam alguma reação na mucosa nasal que desencadeia sintomas semelhantes aos da rinite alérgica, porém o tratamento deve ser diverso dos casos de alergia.

Para você entender melhor, descrevo abaixo algumas causas de rinite que não são desencadeadas por mecanismo alérgico.

1. Rinite Medicamentosa

Alguns medicamentos de uso nasal causam rinite pelo mecanismo de retroalimentação que eles causam.

Você certamente já usou ou presenciou pessoas utilizando remédios de uso tópico para “destrancar no nariz”.

Em muitos casos, os pacientes não os utilizam somente nos casos de infecções virais agudas, sendo que prolongam seu uso e cada vez utilizam mais.

Esse uso crônico e indiscriminado de medicamentos tópicos que contêm Nafazolina e Fenilefrina, pode causar um mecanismo de dependência e sintoma de obstrução nasal ainda maior quando o remédio deixa de apresentar seu efeito.

Com o uso crônico, esses medicamentos causam um efeito de rinite intensa e efeitos severos de dano na mucosa nasal e no organismo, já que são absorvidos pela corrente sanguínea.

2. Rinite Irritativa

Neste caso de rinite, o indivíduo apresenta sintomas de incômodo nasal como: espirros, coriza e coceira -, sendo que o mecanismo que gera e desencadeia esses eventos não é a reação mediada por Imunoglobulina E, e sim um mecanismo que estimula algumas terminações sensitivas nasais.

Nesse sentido, o paciente refere que quando tem o contato com determinados odores os sintomas surgem. Ao sair do ambiente, ou não se expor ao agente, os sintomas normalmente têm alívio.

Agentes clássicos como: perfumes, fumaça de cigarro ou solventes -, têm lugar especial neste rol de substâncias desencadeantes de rinite irritativa.

3. Rinite Infecciosa

Este tipo de rinite é comum nos casos de infecções virais ou bacterianas das vias aéreas superiores.

Nos casos de resfriado ou gripe, as vias aéreas são acometidas por algum vírus, o qual, momentaneamente, causa uma reação inflamatória das fossas nasais e acarretam sintomas típicos de rinite.

Não é incomum os pacientes chegarem ao consultório com sintomas de resfriado comum, referindo estarem com rinite.

Os agentes virais ou bacterianos, nestes casos típicos, ocasionam sintomas de: obstrução nasal, coriza, congestão e espirros.

Nos casos bacterianos, muitas vezes ocasionados pelo prolongamento e complicação de casos virais, os pacientes frequentemente apresentam a associação de: coriza amarelada, dor facial, mau cheiro nasal e dor de cabeça. Nestes casos, o médico otorrinolaringologista ou mesmo o médico geral, opta pela associação de antibióticos no tratamento.

É importante frisar que, na maioria dos casos de rinite bacteriana, o quadro de sinusite estará associado. Ainda, cabe ressaltar que nem todos os casos de rinossinusite bacteriana tem indicação de utilização de antibióticos no seu tratamento.

4. Rinite Gestacional

Por mecanismos hormonais, diversas mulheres apresentam sintomas clássicos de rinite no período gestacional.

Os sintomas são mais frequentes nos segundo e terceiro trimestres de gestação, sendo que, por motivos de segurança do bebê, e estudos limitados do uso de certos medicamentos na gestação, o “leque” de remédios para o tratamento fica bastante restrito.

Comumente, após o período gestacional, as pacientes apresentam a reversão do quadro em um período de tempo relativamente curto.

5. Rinite do Idoso

No dia a dia, os médicos otorrinolaringologista se deparam com pacientes de diversas faixas etárias. A população senil apresenta sinais de atrofia na mucosa nasal, o que é normal para essa faixa da vida. Contudo, sintomas de coriza nasal e obstrução quando expostos a vapor ou alimentos quentes não são raros e, muitas vezes, são os sintomas que levam o paciente a marcar a consulta.

O mecanismo relatado acima não tem relação com evento alérgico e, por vezes, temos dificuldade no tratamento desses pacientes. Medicamentos que bloqueiam o mecanismo de mediação de acetilcolina nasal são uma boa opção para a rinite do idoso, porém não são de fácil acesso no mercado nacional.

Além disso, diversos idosos utilizam uma grande quantidade de medicamentos para tratar comorbidades crônicas, sendo que eles, por si só, já podem desencadear sintomas típicos de rinite.

Diversos medicamentos utilizados para tratar hipertensão arterial sistêmica ou doenças cardíacas podem interferir na fisiologia nasal e desencadear sintomas típicos de rinite, todavia é muito complexo individualizar algum deles para atribuí-lo aos sintomas, ou mesmo descontinuar seu uso sem que isso possa interferir em outra patologia do paciente.

6. Conclusão

A rinite é um complexo mecanismo de mediadores inflamatórios que implicam na melhor indicação terapêutica para cada caso individualizado.

Menosprezar o diagnóstico pode levar a um tratamento ineficaz e desnecessário.

Agendar um médico especializado, qual seja, um otorrinolaringologista, pode auxiliar o paciente neste processo de melhora clínica.

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